Reorganizei minha ferramenta de projetos por cliente, não por repositório

Uso uma ferramenta própria para tocar os projetos. Chama-se Shipyard, roda no meu computador e não tem usuário além de mim. Ela guarda hoje 2.863 tarefas, das quais 2.596 já fechei, espalhadas por doze projetos.

Durante um ano ela teve uma aba por repositório. Parecia certo. Cada repositório é uma unidade de trabalho, com git próprio, deploy próprio, pasta própria. O problema apareceu na conversa com cliente, não no código.

A pergunta que a ferramenta não respondia

Um cliente meu tem sete sistemas, cada um num repositório separado, com branch e deploy próprios. Quando ele perguntava o que faltava, eu abria sete abas, somava de cabeça e respondia por aproximação. Outro cliente tem dois sistemas e um site, mesma história em escala menor.

O trabalho acontece por repositório. A conversa acontece por cliente. Minha ferramenta estava do lado errado dessa fronteira.

O que mudei

Passei a ter uma aba por cliente, apontando para a pasta-raiz dele. Hoje são sete abas de cliente e cinco de projeto meu. As 113 tarefas que estavam espalhadas pelos subprojetos foram para as abas de cliente, com o nome do subprojeto entre colchetes no título.

Parece pouca coisa. Na prática, abro uma aba e vejo tudo o que devo àquele cliente, sem somar nada. O que está parado aparece ao lado do que está andando. E tarefa que não pertence a cliente nenhum, tipo estudo ou ferramenta interna, fica nas abas de projeto próprio e não polui a conta.

O que ficou disso

Ferramenta interna também tem usuário, e esse usuário tem um jeito de pensar. Meu erro foi copiar para dentro dela a estrutura do disco, quando o que eu precisava era a estrutura da conversa. Git organiza código. Cliente organiza compromisso. São dois recortes do mesmo trabalho, e a ferramenta que eu abro toda manhã precisa do segundo.

Vale para o software que entrego também. Quando um painel espelha o organograma de quem construiu, em vez do trabalho de quem usa, o resultado é sempre o mesmo. Alguém soma de cabeça, todo dia, para chegar ao número que interessa.

Precisa resolver isso na sua empresa?

Uma conversa de vinte minutos costuma bastar para saber se faz sentido, e você fala direto com o engenheiro que constrói.

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