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  • Sua empresa aparece quando alguém pergunta à IA? Como medir isso todo mês

    Não existe hoje um painel confiável que mostre se a sua empresa é citada pelos assistentes de IA. O que existe é um teste manual de dez minutos por mês: perguntar a quatro modelos o que um cliente perguntaria, anotar se você aparece, e guardar a resposta. Em três meses isso vira série histórica. É pouco, e é mais do que quase todo mundo tem.

    A pergunta que abre este texto tem uma resposta desconfortável para quem vende marketing: ninguém sabe direito. As ferramentas que prometem medir “presença em IA” cobrem uma fatia pequena do que existe, e a maior parte delas não diz qual fatia é.

    Por que os painéis prontos não bastam ainda

    Os produtos de analytics que começaram a oferecer essa medição têm três limitações que raramente aparecem em destaque na tela.

    Cobrem poucos modelos. Um painel que só enxerga um assistente não diz nada sobre os outros quatro que o seu cliente usa.

    A base é minúscula. Quando o número de citações no período é 1 ou 2, qualquer percentual em cima disso é ruído com aparência de dado. “50% de participação” sobre uma base de duas citações não significa metade de nada.

    As funções boas custam caro. A parte que mostraria o tráfego de robôs costuma exigir integração com CDN em plano corporativo. Para uma empresa média, o custo dessa medição fica maior que o do problema.

    O teste manual, passo a passo

    Reserve dez minutos no primeiro dia útil de cada mês. O procedimento é sempre igual — e a repetição é o que faz o dado valer.

    1. Escreva cinco perguntas de cliente

    Não perguntas sobre a sua empresa. Perguntas que alguém faria antes de conhecer a sua empresa:

    • “Quem faz [seu serviço] em [sua cidade]?”
    • “Qual empresa contratar para [problema que você resolve]?”
    • “Quanto custa [seu serviço] no Brasil?”
    • “[Seu serviço]: o que avaliar antes de contratar?”
    • Uma pergunta específica do seu nicho, com o vocabulário do cliente.

    Congele essas cinco. Mudar a pergunta todo mês destrói a comparação.

    2. Pergunte aos quatro, em janela anônima

    Use os quatro assistentes mais usados pelo seu público. Sempre em sessão nova e sem estar logado, porque histórico e memória contaminam a resposta — se o modelo já sabe quem você é, ele te cita, e você comemora um resultado que não existe.

    3. Anote três coisas, e só três

    CampoO que registrar
    Apareceu?Sim ou não. Sem meio-termo.
    Em que posiçãoPrimeira menção, no meio, ou de passagem no fim.
    Quem apareceu no seu lugarOs nomes citados. Esta é a coluna mais útil de todas.

    Vinte linhas por mês: quatro modelos vezes cinco perguntas. Uma planilha resolve.

    4. Guarde a resposta inteira

    Copie o texto completo em um arquivo com a data. Daqui a seis meses você vai querer comparar o que mudou na redação, não só o sim ou não.

    O que fazer com o resultado

    Se você não aparece e seus concorrentes sim: vá ler o que eles publicaram. Na maioria dos casos a diferença não é orçamento, é que eles têm uma página que responde aquela pergunta inteira e você não.

    Se ninguém aparece: é a melhor notícia possível. Significa que o modelo não encontrou fonte boa para a pergunta, e a primeira empresa que publicar uma passa a ocupar aquele espaço.

    Se você aparece com informação errada: corrija na fonte. Modelo cita o que está escrito em algum lugar da internet — inclusive dado antigo do seu próprio site, de um diretório de empresas ou de uma notícia de cinco anos atrás.

    O padrão que costuma aparecer

    Uma observação que se repete em quase todo site medido: o que a IA cita é utilidade, não vitrine. A página citada raramente é a home ou a página de serviços. Costuma ser um guia, uma calculadora, uma ferramenta gratuita, uma explicação completa de um assunto específico.

    A conclusão prática é direta. Se o objetivo é ser citado, a próxima página a construir não é mais uma descrevendo o que a empresa faz. É uma que resolva sozinha o problema de quem chegou.

    O erro que este método evita

    Sem linha de base, qualquer mudança vira história. A empresa publica um arquivo novo, o telefone toca na semana seguinte, e alguém conclui que uma coisa causou a outra. Três meses de planilha custam meia hora no total e transformam essa conversa em uma comparação.


    A DCODER trata presença em IA como qualquer outra entrega: linha de base antes, medição depois. Converse com o estúdio em dcoder.io.

  • llms.txt: o arquivo que faz a IA encontrar a sua empresa

    O llms.txt é um arquivo de texto na raiz do site que descreve, em linguagem direta, o que a empresa faz, para quem, onde e o que ela não faz. Leva uma tarde para escrever, não substitui o robots.txt nem o sitemap.xml, e ainda não é padrão adotado oficialmente por nenhum dos grandes modelos. Mesmo assim vale publicar, e este texto explica por quê.

    A pergunta que importa mudou. Durante vinte anos a pergunta foi “meu site aparece na primeira página do Google?”. Hoje uma parte grande da busca não devolve uma página de links, devolve uma resposta pronta. E numa resposta não existe primeiro lugar. Existe quem foi citado e quem não foi.

    O problema que o arquivo tenta resolver

    Um site institucional moderno é hostil para leitura automática. O texto que interessa está espalhado entre animações, menus, banners e scripts. Uma página de serviço costuma ter mais marcação do que conteúdo. Quando um modelo de linguagem lê isso, ele precisa adivinhar o que é essencial.

    O llms.txt é a resposta óbvia: um arquivo em texto puro, em Markdown, onde a empresa escreve por conta própria o resumo que quer que seja lido. A proposta é de Jeremy Howard, de setembro de 2024, e a analogia é com o robots.txt — mesmo lugar, mesma simplicidade, propósito diferente.

    Onde fica e como se chama

    Na raiz do domínio, exatamente assim:

    • https://suaempresa.com.br/llms.txt — o resumo curto, com links para o que importa.
    • https://suaempresa.com.br/llms-full.txt — a versão longa, com o conteúdo inteiro em texto.

    Os dois são opcionais e independentes. Comece pelo primeiro.

    O que escrever dentro

    A estrutura mínima que funciona tem cinco partes, nesta ordem:

    1. Quem é a empresa, em duas linhas. Nome, o que faz, onde fica.
    2. O que ela vende, uma linha por item, em substantivos que um cliente usaria.
    3. Para quem. Porte, setor, região. Ser específico ajuda mais do que abrir o leque.
    4. O que ela não faz. Esta é a parte que quase todo mundo pula, e é a mais útil — evita que o modelo cite você para a pergunta errada.
    5. Links para as páginas que valem a citação, cada um com uma frase dizendo o que tem lá.

    Um esqueleto, curto de propósito:

    # Nome da empresa
    
    > Uma frase dizendo o que a empresa faz e para quem.
    
    ## Serviços
    - Serviço A: uma linha explicando.
    - Serviço B: uma linha explicando.
    
    ## Atende
    Empresas de X a Y funcionários, no setor Z, em toda a região W.
    
    ## Não atende
    - Trabalho que a empresa recusa, e por quê.
    
    ## Páginas
    - [Título da página](https://exemplo.com/pagina): o que o leitor encontra ali.
    

    As três regras de escrita

    Escreva fatos, não adjetivos. “Somos inovadores e apaixonados por tecnologia” não é informação. “Integramos ERP com sistemas próprios, em projetos de 3 a 9 meses” é.

    Coloque a informação junta. Um bloco que responde a pergunta inteira vale mais que dez frases bonitas espalhadas. O texto que é citado é o que pode ser recortado sem perder sentido.

    Inclua o que é verificável. Cidade, prazo típico, tecnologias, faixa de investimento se você publica preço. Dado concreto ancora a citação.

    O que o arquivo não faz

    Aqui vale ser honesto, porque a maior parte do que se escreve sobre o assunto exagera.

    Não é fator de ranqueamento. O Google não confirmou uso do arquivo, e os principais fornecedores de modelo também não anunciaram suporte formal. Publicar não garante citação nenhuma.

    Não substitui nada. O robots.txt continua sendo quem autoriza ou bloqueia rastreadores. O sitemap.xml continua sendo quem lista as páginas. O llms.txt é complemento editorial, não substituto técnico.

    Não protege conteúdo. Se você não quer que um rastreador de IA leia o site, isso se resolve no robots.txt e nas regras do servidor, não aqui.

    Então por que fazer

    Por três razões práticas, mesmo sem garantia.

    A primeira é o custo. Uma tarde de trabalho, uma vez, e o arquivo fica no ar. Quase nenhuma decisão de marketing tem essa relação entre esforço e possibilidade de retorno.

    A segunda é o efeito colateral. Escrever o que a empresa não faz obriga a decidir o que ela faz. Boa parte do valor aparece antes de o arquivo subir, na conversa interna que ele força.

    A terceira é a janela. Entre as empresas de médio porte no Brasil, quase nenhuma tem esse arquivo publicado. Não é vantagem que dura para sempre, é vantagem de quem chega primeiro — e some quando virar item de checklist de agência.

    Como saber se adiantou

    Não dá para saber olhando o arquivo. A medição possível é indireta e manual: uma vez por mês, pergunte a quatro modelos diferentes o que um cliente perguntaria, e anote se a sua empresa aparece. Sem isso, qualquer afirmação sobre resultado é chute.


    A DCODER publica llms.txt e llms-full.txt no próprio site e mede a citação à mão, porque a ferramenta confiável ainda não existe. Converse com o estúdio em dcoder.io.