O llms.txt é um arquivo de texto na raiz do site que descreve, em linguagem direta, o que a empresa faz, para quem, onde e o que ela não faz. Leva uma tarde para escrever, não substitui o robots.txt nem o sitemap.xml, e ainda não é padrão adotado oficialmente por nenhum dos grandes modelos. Mesmo assim vale publicar, e este texto explica por quê.
A pergunta que importa mudou. Durante vinte anos a pergunta foi “meu site aparece na primeira página do Google?”. Hoje uma parte grande da busca não devolve uma página de links, devolve uma resposta pronta. E numa resposta não existe primeiro lugar. Existe quem foi citado e quem não foi.
O problema que o arquivo tenta resolver
Um site institucional moderno é hostil para leitura automática. O texto que interessa está espalhado entre animações, menus, banners e scripts. Uma página de serviço costuma ter mais marcação do que conteúdo. Quando um modelo de linguagem lê isso, ele precisa adivinhar o que é essencial.
O llms.txt é a resposta óbvia: um arquivo em texto puro, em Markdown, onde a empresa escreve por conta própria o resumo que quer que seja lido. A proposta é de Jeremy Howard, de setembro de 2024, e a analogia é com o robots.txt — mesmo lugar, mesma simplicidade, propósito diferente.
Onde fica e como se chama
Na raiz do domínio, exatamente assim:
https://suaempresa.com.br/llms.txt— o resumo curto, com links para o que importa.https://suaempresa.com.br/llms-full.txt— a versão longa, com o conteúdo inteiro em texto.
Os dois são opcionais e independentes. Comece pelo primeiro.
O que escrever dentro
A estrutura mínima que funciona tem cinco partes, nesta ordem:
- Quem é a empresa, em duas linhas. Nome, o que faz, onde fica.
- O que ela vende, uma linha por item, em substantivos que um cliente usaria.
- Para quem. Porte, setor, região. Ser específico ajuda mais do que abrir o leque.
- O que ela não faz. Esta é a parte que quase todo mundo pula, e é a mais útil — evita que o modelo cite você para a pergunta errada.
- Links para as páginas que valem a citação, cada um com uma frase dizendo o que tem lá.
Um esqueleto, curto de propósito:
# Nome da empresa
> Uma frase dizendo o que a empresa faz e para quem.
## Serviços
- Serviço A: uma linha explicando.
- Serviço B: uma linha explicando.
## Atende
Empresas de X a Y funcionários, no setor Z, em toda a região W.
## Não atende
- Trabalho que a empresa recusa, e por quê.
## Páginas
- [Título da página](https://exemplo.com/pagina): o que o leitor encontra ali.
As três regras de escrita
Escreva fatos, não adjetivos. “Somos inovadores e apaixonados por tecnologia” não é informação. “Integramos ERP com sistemas próprios, em projetos de 3 a 9 meses” é.
Coloque a informação junta. Um bloco que responde a pergunta inteira vale mais que dez frases bonitas espalhadas. O texto que é citado é o que pode ser recortado sem perder sentido.
Inclua o que é verificável. Cidade, prazo típico, tecnologias, faixa de investimento se você publica preço. Dado concreto ancora a citação.
O que o arquivo não faz
Aqui vale ser honesto, porque a maior parte do que se escreve sobre o assunto exagera.
Não é fator de ranqueamento. O Google não confirmou uso do arquivo, e os principais fornecedores de modelo também não anunciaram suporte formal. Publicar não garante citação nenhuma.
Não substitui nada. O robots.txt continua sendo quem autoriza ou bloqueia rastreadores. O sitemap.xml continua sendo quem lista as páginas. O llms.txt é complemento editorial, não substituto técnico.
Não protege conteúdo. Se você não quer que um rastreador de IA leia o site, isso se resolve no robots.txt e nas regras do servidor, não aqui.
Então por que fazer
Por três razões práticas, mesmo sem garantia.
A primeira é o custo. Uma tarde de trabalho, uma vez, e o arquivo fica no ar. Quase nenhuma decisão de marketing tem essa relação entre esforço e possibilidade de retorno.
A segunda é o efeito colateral. Escrever o que a empresa não faz obriga a decidir o que ela faz. Boa parte do valor aparece antes de o arquivo subir, na conversa interna que ele força.
A terceira é a janela. Entre as empresas de médio porte no Brasil, quase nenhuma tem esse arquivo publicado. Não é vantagem que dura para sempre, é vantagem de quem chega primeiro — e some quando virar item de checklist de agência.
Como saber se adiantou
Não dá para saber olhando o arquivo. A medição possível é indireta e manual: uma vez por mês, pergunte a quatro modelos diferentes o que um cliente perguntaria, e anote se a sua empresa aparece. Sem isso, qualquer afirmação sobre resultado é chute.
Precisa resolver isso na sua empresa?
Uma conversa de vinte minutos costuma bastar para saber se faz sentido, e você fala direto com o engenheiro que constrói.